Posts Tagged ‘Saramago’

Morreu José Saramago…

Venres, Xuño 18th, 2010

E fomos quedando sós…

…O mar, o barco, e mais nos.

Manuel Antonio

Morre un cerebro de 87 anos coa grande lucidez e cordura que lle permitía escribir a diario esa testemuña da historia dun maior, a perspectiva dese avó de todos, dese maior que viviu o pasado e seguía a interpretar o noso presente con esa ollada de aguia lucida e inconformista e con ese espírito xuvenil e guerreiro, de loita, sempre dende a esquerda.

Morre Saramago, e con el algo de nos.

Que a súa platónica palabra viva para sempre, se espalle coma semente de flores imposibles.

Unha aperta etérea, para unha desas poucas persoas famosas coas que si gustaría de ter coincido en persoa.

Hoxe o mundo perde algo moi grande, un cerebro que deixa de pensar, entre a morea de cerebros vivos que nunca o farán.

Graciñas Saramago, pola túa luz, pola túa obra, polas túas verbas, e mesmo polo teu pesimismo vaticinatorio.

Paradoxalmente morres cos dereitos da clase traballadora europea. Ironías da historia.



Diario El Pais:  Fallece a los 87 años José Saramago
El escritor fue el primer premio Nobel en lengua portuguesa

Cada vez mais sós

Junho 11, 2010 por Fundação José Saramago

Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro.

“Cada vez mais sós”, in Deste Mundo e do Outro, Ed. Caminho, 7.ª ed., p. 216

Cidadãos, não clientes

Junho 10, 2010 por Fundação José Saramago

Nós estamos a assistir ao que chamaria de morte do cidadão e, no seu lugar, o que temos, e cada vez mais, é o cliente. Agora já ninguém te pergunta o que pensas, agora perguntam-te que marca de carro, de roupa, de gravata tens, quanto ganhas…

El Mundo, Madrid, 6 de Dezembro de 1998

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O estado chulo

Maio 25, 2010 por Fundação José Saramago

Sempre se falou da Europa como de um mercado com não sei quantos milhões de consumidores, ninguém falou na Europa dos cidadãos que precisam de medicamentos, pensões de velhice dignas, assistência hospitalar, sistemas educativos modernos. É duvidoso que, em tantos anos de construção europeia, nada na Comunidade aponte nesse sentido. Aquilo de que se fala é em reduzir os benefícios sociais. Se me é permitido, passámos do ideal do estado providência para o estado chulo.

“Uma certa ideia de Europa”
Entrevista de Clara Ferreira Alves para Expresso, 7 de agosto de 1993

Español

Pensar, pensar

Junio 18, 2010 por Fundação José Saramago

Creo que en la sociedad actual nos falta filosofía. Filosofía como espacio, lugar, método de reflexión, que puede no tener un objetivo concreto, como la ciencia, que avanza para satisfacer objetivos. Nos falta reflexión, pensar, necesitamos el trabajo de pensar, y me parece que, sin ideas, no vamos a ninguna parte.

Revista del Expresso, Portugal (entrevista), 11 de octubre de 2008

Crise

Venres, Xaneiro 16th, 2009

Ás veces un ten que deixar que os grandes escriban…

A outra crise

By José Saramago

Crise financeira, crise económica, crise política, crise religiosa, crise ambiental, crise energética, se não as enumerei a todas, creio ter enunciado as principais. Faltou uma, principalíssima em minha opinião. Refiro-me à crise moral que arrasa o mundo e dela me permitirei dar alguns exemplos. Crise moral é a que está padecendo o governo israelita, doutra maneira não seria possível entender a crueldade do seu procedimento em Gaza, crise moral é a que vem infectando as mentes dos governantes ucranianos e russos condenando, sem remorsos, meio continente a morrer de frio, crise moral é a da União Europeia, incapaz de elaborar e pôr em acção uma política externa coerente e fiel a uns quantos princípios éticos básicos, crise moral é a que sofrem as pessoas que se aproveitaram dos benefícios corruptores de um capitalismo delinquente e agora se queixam de um desastre que deveriam ter previsto. São apenas alguns exemplos. Sei muito bem que falar de moral e moralidade nos tempos que correm é prestar-se à irrisão dos cínicos, dos oportunistas e dos simplesmente espertos. Mas o que disse está dito, certo de que estas palavras algum fundamento hão-de ter. Meta cada um a mão na consciência e diga o que lá encontrou.